DEZ. 05, 2019 17:34:00

Preços globais da carne bovina devem permanecer sustentados em 2020, reafirma o Rabobank

São Paulo, 05/12/2019 - A alta demanda da China e de outros países da Ásia por carne bovina, em decorrência dos casos de peste suína africana na região, deve manter os preços globais da proteína sustentados no ano que vem, segundo o Rabobank. Em relatório trimestral divulgado há pouco pelo Rabobank. O gigante asiático deve absorver o aumento da produção na América do Sul, em especial Brasil e Argentina.

A China deve ter demanda "extremamente forte" pela carne bovina no ano que vem, de acordo com o boletim, mesmo com o avanço nos preços locais. Isso porque, apesar de ter subido expressivamente nos últimos meses, a carne suína - principal concorrente - avançou ainda mais. "Em outubro de 2018, o preço da carne bovina era 2,8 vezes a da suína; mas em outubro de 2019 é apenas 0,6 vez mais alta", informa o relatório. O país também deve continuar importando volumes consideráveis de carne bovina, como indicam as habilitações recentes de plantas - desde agosto, o Brasil teve 22 frigoríficos habilitados e a Argentina, oito.

Para suprir a demanda chinesa, a América do Sul deve aumentar a produção. O Rabobank reiterou a projeção para produção brasileira - aumento de 3,5% em 2020 - divulgada em evento na semana passada. O banco também projeta que as exportações brasileiras aumentem em 10,65% no próximo ano. Com as novas habilitações, o banco acredita que o Brasil aumentará as exportações para a China nos próximos meses.

Em setembro, o País já retomou o posto de maior exportador de carne bovina para a nação asiática, que era da Argentina. No vizinho sul-americano, a vitória de Alberto Fernández nas eleições presidenciais causa "incerteza" por falta de propostas para o setor e "maiores chances de tarifas mais altas para exportações de carne bovina", que hoje estão na casa dos 5%. Mesmo assim, o Rabobank estima que os altos preços globais e a depreciação da moeda argentina possam compensar as eventuais tarifas. O avanço na produção argentina deve ser motivado tanto pela desvalorização da moeda quanto pelos preços recordes de bovinos vivos.

Nos Estados Unidos, a demanda doméstica é considerada boa. A preocupação da indústria seria o aumento de preços da carne que o país importa para processar. Os preços locais da proteína podem ser sustentados no ano que vem com a demanda de redes de fast-food, entre outras, por carne local para substituir a estrangeira.

PESTE SUÍNA/ÁSIA: FAO ELEVA PARA 7,659 MILHÕES NÚMERO DE ANIMAIS ELIMINADOS POR DOENÇA

São Paulo, 05/12/2019 - - A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) informou ontem que 7.659.650 suínos já foram eliminados em países asiáticos por causa da contaminação com a peste suína africana. O número representa um aumento de 416,9 mil animais em relação ao levantamento anterior da organização, de 21 de novembro. Os dados da FAO foram atualizados até a última quinta-feira (28). Os números da organização divergem das estimativas de mercado por contabilizarem somente os dados divulgados pelos órgãos oficiais de cada país.

O aumento se deve, principalmente, ao número de suínos descartados na Coreia do Sul, que passou de 54,1 mil para 450 mil animais eliminados. Agora, novos quatro focos foram verificados, passando para um total de 44 casos detectados. O Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais do país informou que, desde que a doença foi notificada, em 17 de setembro, três cidades foram atingidas pela epidemia.

A FAO informou ainda que 15 novos focos da doença foram detectados. Destes, seis foram verificados na China, cinco no Vietnã e quatro na Coreia do Sul. Com a atualização, a FAO estima 612 focos da doença espalhados pela Ásia, ante 597 do relatório anterior.

No Vietnã, o número de suínos eliminados passou de 5,88 milhões para 5,9 milhões, com novos cinco focos detectados. O país tem a pior condição em termos de número de animais levados ao abate sanitário. Segundo o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural do país, a epidemia atingiu 63 províncias desde o relato da doença, em 19 de fevereiro.

A China tem a situação mais crítica em termos de extensão, com 169 focos em 32 províncias, incluindo a região administrativa de Hong Kong. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais do país, desde a identificação da doença 1,193 milhão de animais foram eliminados.

Nos demais países afetados, Coreia do Norte, Filipinas, Mongólia, Camboja, Mianmar, Laos e Timor Leste, os números ficaram inalterados em relação ao balanço anterior. No Laos, desde a detecção da epidemia, em 20 de junho, 165 focos foram relatados em 18 províncias e 39 mil animais foram eliminados. Nas Filipinas, 70 mil animais foram descartados e 24 focos em nove províncias e em uma cidade foram identificados, desde 25 de julho deste ano, quando o Departamento de Agricultura local confirmou o primeiro caso.

Quanto à Mongólia, desde o primeiro caso, detectado em 15 de janeiro, 11 surtos foram notificados em seis províncias, levando à eliminação de 3,115 mil animais, mais de 10% do plantel do país. No Camboja, de acordo com o Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do país, desde a identificação da doença, em 2 de abril, 2,85 mil animais foram mortos e cinco províncias foram atingidas.

A Coreia do Norte permanece com um foco da doença identificado em 23 de maio, o que levou à eliminação de 77 animais. Em Mianmar, desde que o primeiro caso foi detectado pelo governo, em 1º de agosto, a epidemia atingiu aldeias da província de Shan State com quatro focos e já levou ao abate sanitário de 163 animais. No Timor Leste, desde que o primeiro caso foi confirmado, em 27 de setembro, 100 focos foram identificados e 405 animais, sacrificados.

Por I[email protected]

 

Tags:
Fonte: Agência Estado