Tensões comerciais novamente no foco no mercado do algodão

Mais de 60% do algodão brasileiro passa pela Bolsa Brasileira de Mercadorias
Por Bolsa Brasileira de Mercadorias BBM
27/07/2020

Tensões comerciais novamente no foco no mercado do algodão

Mais de 60% do algodão brasileiro passa pela Bolsa Brasileira de Mercadorias
Por Bolsa Brasileira de Mercadorias BBM
27/07/2020

A tensão diplomática entre China e Estados Unidos voltou a afetar o mercado do algodão na última semana. O relatório semanal da Souza Lima Corretora destacou o tom baixista para as cotações dos contratos futuros da fibra negociados na ICE Futures, em Nova York. Ao final do pregão de sexta-feira (24), a posição com vencimento em dezembro de 2020 fechou a US$ 0,6010, por libra peso, com a mínima do dia a US$ 0,5951. De acordo com o relatório da corretora, foi a primeira vez no mês de julho que este contrato foi negociado abaixo de US$ 0,60, sendo que, na semana, houve desvalorização acumulada de 3%. A posição de dezembro de 2021 encerrou ficou em US$ 0,6071.

 

Já no Brasil, os preços reagiram positivamente. Na sexta-feira, o indicador da Bolsa Brasileira de Mercadorias apontou uma alta diária de 0,79% (Posto São Paulo), com alta de 2,95% no acumulado em 30 dias, o preço está em R$ 2,79 (por libra peso). Confira. Segundo a Souza Lima, a escassez de oferta de lotes de boa qualidade foi o principal motivo.

 

O continente asiático importa praticamente 90% do algodão brasileiro e, num passado ainda muito recente, a pluma nacional foi um dos produtos beneficiados pela guerra comercial entre China e Estados Unidos, depois que país asiático decidiu sobretaxar o algodão norte-americano em 25% como resposta a outras taxações impostas pela maior economia do mundo. Mas, o favorecimento, de acordo com o setor, já foi absorvido nos preços e o momento observado agora é de pressão pelo menor consumo, consequência do isolamento social instituído durante a pandemia de coronavírus. 

 

O Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), desenvolvido mensalmente pelo FGVAgro e divulgado na última quinta-feira (23), mostrou que, dos produtos agroindustriais não alimentícios, a produção têxtil foi destaque de queda no mês de maio com recuo de 55,3%. Sobre o consumo mundial, é esperado para este ano um recuo na ordem de 3 milhões de toneladas na comparação com a temporada anterior, ou, 15% a menos. 

 

 

Longe das bolsas internacionais, a colheita no Brasil segue de vento em popa. O estado de Mato Grosso, principal produtor nacional da pluma, iniciou a colheita há poucas semanas, atrás da Bahia e de Goiás e a expectativa é de boa produtividade. “O clima está ajudando, vamos ter boas colheitas até setembro”, declarou Milton Garbugio, presidente da Abrapa.

 

Semanas atrás, o USDA projetou uma redução na área plantada com algodão nos EUA, o que animou as cotações depois desse cenário obscuro observado durante a pandemia, mas o dirigente alerta. “Não basta somente os valores subirem em NY enquanto nós temos os bases, os ágios nos portos brasileiros estiveram muito altos. Estamos com um custo muito alto de porto então o preço acaba não compensando”, declarou.

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