Recorde do preço do milho afeta indústrias brasileiras

Fábricas de rações já começaram a estudar compras de trigo futuro para diminuir o percentual de milho utilizado na fórmula
Por Bolsa Brasileira de Mercadorias BBM
15/04/2021

Recorde do preço do milho afeta indústrias brasileiras

Fábricas de rações já começaram a estudar compras de trigo futuro para diminuir o percentual de milho utilizado na fórmula
Por Bolsa Brasileira de Mercadorias BBM
15/04/2021

O mercado futuro do milho registra uma sequência de preços históricos no Brasil e apresenta alta também em Chicago (EUA). No dia 14 de abril, o valor da saca ultrapassou os R$ 104,00, considerando o vencimento para o mês de maio de 2021 negociado na B3, Brasil, Bolsa e Balcão. Já na manhã da quinta-feira (15), o mesmo vencimento esteve em torno de R$ 101,00 na B3, ainda fortalecido, enquanto, em Chicago, a manhã foi de alívio nas cotações do cereal, mas os patamares se mantiveram altos durante todo mês de abril.

 

Fonte: Agência Estado

 

Segundo Sérgio Fontoura da Corretora Renato Agronegócios, associada à Bolsa Brasileira de Mercadorias, as indústrias gaúchas de rações estão com sérios problemas para conseguir pagar os atuais níveis de preços e, por isso, devem reduzir o alojamento de 35% até 40% dos animais e, algumas delas, podem acabar optando por redução de funcionários ou antecipação de férias. “Algumas fábricas e indústrias ligadas ao segmento de aves e suínos já começaram inclusive a negociar compras de trigo futuro para diminuir o percentual de milho utilizado na fórmula", alerta o corretor.

 

Mercado interno

 

Enquanto isso, no mercado físico, desde a segunda-feira (12), o mercado vendedor FOB do milho no Rio Grande do Sul, por exemplo, não baixava dos R$100,00 a saca. A região das Missões foi  fortemente muito castigada pela estiagem, o que também impacta nos preços do cereal. Segundo Sérgio Fontoura, para saca de milho no mercado comprador, a indicação é de tentar atingir o patamar de R$ 96,00 (FOB), mas há dificuldades de se chegar a níveis. Já no posto indústria, mercadora CIF, o milho comprador registra uma média de R$ 98,00 na saca. “Com estes preços, o produtor não vende”, resume. 

 

Ainda segundo o corretor gaúcho, os contratos a médio prazo também aparecem extremamente valorizados na B3, o vencimento para janeiro de 2022, por exemplo, já foi cotado a R$ 95,55 na metade de abril, o que mostra o mercado ainda firme lá na frente. Com essas bases, tudo contribui para deixar o mercado super aquecido e o efeito é dominó, pois o resultado da alta do cereal, conforme o corretor, será uma diminuição no número de abates de aves e de suínos como uma maneira de reduzir gastos.  As indústrias que só trabalham com mercado interno de proteínas são as mais prejudicadas. 

 

Confira a entrevista da Corretora Renato exibida no Canal do Boi dia 14/4

 

Nas regiões produtoras, os preços variam, mas aparecem sempre apresentando alta no acumulado do mês. O Indicador da Bolsa Brasileira de Mercadorias, que considera o mercado físico do milho, mostrava na quinta-feira (15) os preços da saca do cereal a partir de R$ 75,50 em Campo Novo do Parecis (MT), até R$ 99,00 em Campinas, interior de São Paulo. Todas as praças pesquisadas mostram variação mensal positiva. A maior alta no acumulado de 30 dias é vista no oeste baiano e ultrapassa os 15%, onde a saca aparece em R$ 77,50, considerando os municípios de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães.

 

Confira as cotações atualizadas no Indicador BBM

 

De acordo com Geraldo Isoldi, da Commcor, corretora paulista também associada à Bolsa Brasileira de Mercadorias, o Brasil sendo um mercado exportador de milho abre um leque de diferentes variáveis em relação às oscilações dos preços. “A grande verdade é que neste momento a gente não tem milho disponível e, o pouco milho que temos atualmente, está sendo segurado pelo produtor”, relatou. Segundo Isoldi, a grande aposta do mercado é na safrinha a partir do segundo semestre. Quem vai mandar nos preços a partir de junho, conforme ele, mais uma vez é o clima. 

 

Confira a entrevista da Commcor Corretora exibida no Canal do Boi dia 9/4

 

A Bolsa Brasileira de Mercadoorias alerta! Para evitar a quebra de contratos no mercado do milho a exemplo do que ocorreu com a soja na útlima temporada, é imprescindível registrar os negócios realizados em Bolsa para que, a qualquer possível eventualidade entre comprador e vendedor, haja o amparo da Câmara Arbitral especializada da BBM, 

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