Pequenas indústrias se beneficiaram pouco das quedas do preço do milho em junho

Movimento de baixa já ficou para trás após ocorrências de geadas nas lavouras

Por Bolsa Brasileira de Mercadorias BBM
05/07/2021

Pequenas indústrias se beneficiaram pouco das quedas do preço do milho em junho

Movimento de baixa já ficou para trás após ocorrências de geadas nas lavouras

Por Bolsa Brasileira de Mercadorias BBM
05/07/2021

As geadas ocorridas em importantes regiões produtoras fizeram as cotações do milho mudar de direção após uma sequência de quedas observadas nas últimas semanas. Depois de fechar o mês de junho com recuo, o indicador da Bolsa Brasileira de Mercadorias apontou na última sexta-feira (2) para uma alta diária de 2,98% no valor do milho em Chapecó (SC), onde a saca avançou para R$ 86,50. Em Cascavel (PR), a saca teve elevação de 3,5% em um só dia para o patamar de R$ 89,00 e, em Campinas (SP) subiu R$ 4,00 na sexta alcançando os R$ 94,00, segundo a última atualização do indicador. No Rio Grande do Sul, o preço médio da saca aparece em R$ 86,00.  Confira todos os números do indicador

 

As quedas recentes nas cotações, observadas antes da inversão de sinal no mercado, ajudaram pouco as indústrias de ração que sofrem com os custos elevados dos insumos, especialmente do milho e do farelo de soja. “Algumas indústrias se beneficiaram, principalmente as grandes que compraram grandes estoques para se abastecer, as pequenas nem tanto”, explicou Christiano Erhart, sócio da Corretora Renato e vice-presidente da Bolsa Brasileira de Mercadorias. A queda vista em junho ocorreu porque o mercado em Chicago devolveu parte dos ganhos anteriores buscando caminhar para um equilíbrio. “Também teve a questão do câmbio”, lembrou o corretor. No último mês, o dólar recuou 4,81% frente ao real brasileiro no acumulado, fechando junho abaixo do patamar dos R$ 5,00, o que puxou para baixo também o preço do milho de exportação, movimento que se reverteu em função das questões climáticas.

 

Os primeiros estados atingidos pela geada foram o Rio Grande do Sul, o Paraná e parte do Mato Grosso do Sul, chegando também em lavouras do Paraguai, principal exportador do cereal para o Brasil. Já as baixas temperaturas foram registradas em todos os estados entre o Rio Grande do Sul e São Paulo. “Há muito tempo não víamos esse tipo de geada no Brasil”, disse o meteorologista do Rural Clima, Marco Antonio dos Santos, em nota. O fato levou, inclusive, a B3 Brasil, Bolsa e Balcão a elevar o limite de oscilação diária no mercado futuro do milho na terça-feira (29) de 5% a 7%.  As geadas também atingiram produções de café e cana-de-açúcar no Brasil.

 

As ocorrências de geadas devem trazer uma revisão no próximo relatório de grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que já havia sofrido uma alteração em maio. Na última edição, a estatal estimou a produção nacional de milho em 106,4 milhões de toneladas, 24,7 milhões de toneladas na primeira safra, com previsão de 79,8 milhões na segunda safra e 1,9 milhão na terceira. Já nesta segunda-feira, a consultoria AgRural reduziu sua previsão para a segunda safra no centro-oeste em 5,4 milhões de toneladas frente à estimada 27 de maio, caindo para 54,6 milhões de toneladas,  por causa do impacto de geadas e da seca na safrinha.

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