Mercado do café vive momento de incertezas no campo

Confira as cotações atualizadas do café no Indicador BBM
Por Bolsa Brasileira de Mercadorias BBM
03/03/2021

Mercado do café vive momento de incertezas no campo

Confira as cotações atualizadas do café no Indicador BBM
Por Bolsa Brasileira de Mercadorias BBM
03/03/2021

O ano começou com redução nas exportações globais de café. Em janeiro, os embarques do produto recuaram 3,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, para 10,2 milhões de sacas de 60 quilos. O recuo foi puxado pelos embarques de arábica, que caíram 11,1%, para 5,98 milhões de sacas. Por outro lado, os embarques globais de café robusta (conilon) cresceram 9,3%, para 4,2 milhões de sacas no primeiro mês de 2021. Os números constam no relatório mensal da Organização Internacional do Café (OIC). 

 

Considerando o acumulado do ano cafeeiro 2020/21 (outubro a janeiro), o cenário muda de figura. Neste período, os embarques globais somaram 41,87 milhões de sacas, aumento de 3,7%, ante as 40,37 milhões de sacas de igual período do ciclo anterior. Mesmo com a queda dos embarques de arábica em janeiro, ao analisar-se todo ano-safra, o saldo ainda é positivo pois as exportações que cresceram 7,6%, para 27 milhões de sacas. O café arábica é a principal variedade produzida no Brasil. Já as exportações de café robusta, nesta mesma comparação, caíram 2,6%, para 14,87 milhões de sacas.

 

No Brasil, os resultados referentes ao mês de fevereiro são positivos. Segundo levantamento recente da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e do Ministério da Economia, levando em conta 18 dias úteis, a exportação total de café pelo Brasil (não torrado, torrado, extratos, essências e concentrados de café) no segundo mês do ano alcançou 198,9 mil toneladas, o que corresponde a um aumento de 13,2% em comparação com igual mês de 2020. Em termos de receita cambial, houve crescimento de 7,7%, para US$ 453,725 milhões

 

No campo, o momento é de incertezas. Em uma temporada em que a bienalidade do café já seria baixa no Brasil, a falta de chuvas e o calor intenso nos cafezais das principais regiões produtores de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, podem resultar em uma quebra ainda maior na safra brasileira, de até 30%, segundo projeções. A perspectiva da Associação Brasileira dos Produtores de Café (Sincal) é amparada por consultorias internacionais e pala Companhia Nacional de Abasteciento (Conab).

 

Para o cenário de instabilidade, fica a dica: “Não é o momento do cafeicultor fixar preço”, alertou o presidente da Sincal, Armando Matielli em entrevista ao Canal do Boi na última semana. Segundo o dirigente, não há como suprir a quebra de até 25 milhões de sacas, perda estimada para este ano. Analistas de mercado internacional que estão rodando pelos cafezais brasileiros estão confirmando este cenário. “A situação do arábica é seríssima”, destacou Matielli.

 

“Nós temos insistido desde setembro do ano passado para o produtor não fazer fixação de preço porque a tendência era de alta em função dessas condições climáticas”, reforçou. Segundo o dirigente, de março a novembro de 2020 choveu cerca de 370 milímetros nas regiões produtoras, enquanto a média histórica dos últimos 46 anos anteriores era de 780 milímetros, mais que o dobro do registrado no último ano. Enquanto faltou chuva, sobrou calor! A média de temperatura, segundo especialistas, ficou dois graus acima de anos anteriores.

 

As expectativas negativas para a produção já se refletem nos preços. Nos últimos 30 dias, o indicador de preços do café da Bolsa Brasileira de Mercadorias registrou alta em diferentes regiões. Em Guaxupé (MG), por exemplo, as cotações subiram 30% em um mês o preço da saca de arábica na região está em torno de R$ 770,00. Já na região de Franca, no interior de São Paulo, a alta acumulada passa de 11% e a saca aparece em R$ 760,00. “Não tem dúvida, o mercado já está antecipando os fatos”, garantiu Armando Matielli.

 

No caso do conilon, as perspectivas são positivas. Segundo projeções, a produção nacional deve atingir 15 milhões de sacas este ano. A safra mundial da variedade está prevista em 74,3 milhões de sacas, volume 1,6% maior que 2019-2020. O Vietnã é o maior produtor global de café.

 

 

Confira as cotações atualizadas em todas as regiões

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