Cadeia do algodão vive momento de comemoração e preocupação

Mais de 60% do algodão brasileiro é comercializado pela Bolsa Brasileira de Mercadorias
Por Bolsa Brasileira de Mercadorias BBM
05/06/2019

Cadeia do algodão vive momento de comemoração e preocupação

Mais de 60% do algodão brasileiro é comercializado pela Bolsa Brasileira de Mercadorias
Por Bolsa Brasileira de Mercadorias BBM
05/06/2019

Na última semana, os preços internacionais do algodão começaram a esboçar alguma recuperação na Bolsa de Nova Iorque. A principal explicação para essa reação é o ritmo do plantio da fibra nos Estados Unidos, que está abaixo do que foi registrado no mesmo período do ano passado.

 

De acordo com o relatório da Souza Lima Corretora, empresa associada à Bolsa Brasileira de Mercadorias, no acumulado do mês de maio, todos os contratos tiveram desvalorização acentuada no mercado futuro. A posição de dezembro de 2019, por exemplo, que havia encerrado o mês de abril a US$ 0,7569, fechou o mês de maio a US$ 0,6707, firmando uma queda de 11% no mês.

 

Em entrevista concedida ao Canal do Boi no dia 15 de maio, o presidente reeleito do Conselho de Administração da Bolsa, João Paulo Lefèvre, da Lefèvre Corretora, destacava que a guerra comercial entre China e Estados Unidos iniciada em março do ano passado, embora seja aparentemente benéfica para as exportações da fibra brasileira, causa uma grande bagunça em todo mercado.

 

“É um benefício direto relativo porque o nosso grande problema são os países que produzem fio para vender para a China que, em consequência, manufatura esse fio e vende o produto acabado para os EUA e esse produto sim é tarifado”, explicou Lefèvre, que completou: “enquanto essa disputa não for resolvida - e a gente não tem ideia de quanto tempo isso pode levar -, o mercado vai sofrer as consequências, não só os EUA, mas o mercado como um todo”.

 

O último relatório da Souza Lima Corretora destaca ainda que, no mercado interno de algodão, as negociações continuam com uma cadência lenta. “Devido à escassez de pluma de boa qualidade no imediato, algumas fábricas trabalham com estoque baixo e aguardam a entrada da safra nova”, explica o report.

 

Na segunda-feira, 4 de junho, o indicador da Bolsa Brasileira de Mercadorias para o algodão (Posto São Paulo), apontou para o valor de R$ 2,78 na pluma, após uma queda diária de 0,71%. Confira aqui a última atualização do indicador

 

Enquanto os preços ainda mostram sensibilidade aqui e no mercado externo, a cadeia do algodão comemora a boa notícia confirmada há duas semanas. O Brasil tomou o posto de segundo lugar como maior exportador do produto desbancado a Índia e ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

 

Segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), os embarques para o exterior até abril, ou seja, antes mesmo do fim da safra que encerra nos próximos dias, já atingiam o recorde de 1,045 milhão de toneladas, mas em meio às comemorações, nasce outra preocupação para um futuro próximo. “O grande desafio para a próxima safra será escoar um volume ainda maior de algodão, isso tudo no tempo correto e termos contêineres disponíveis”, ressaltou Lefèvre.

 

Assista aqui a entrevista completa 

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