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SET. 23, 2019

ARTIGO - Produtores de algodão se voltam para nova safra

Encerrando o mês de setembro/19 com a colheita do algodão consolidada, as atenções dos produtores já se voltam para a nova safra. Nesse momento, vivemos uma situação de mercado completamente diferente. Um canal de alta dos preços do algodão na The ICE desde o início de 2016, foi interrompido em junho/18 com quedas expressivas saindo de USD 92,00, no seu nível mais alto, para atuais níveis de USD 60,00 cents/lp. Essa grande inversão no preço, certamente levará ao produtor a necessidade de reflexão sobre seu planejamento.

 

Temos alguns pontos decisivos que influenciarão nessa revisão de plantio. Apesar de investimentos importantes na cultura do algodão e das vendas antecipadas garantindo um bom preço e inibindo uma redução mais acentuada, temos, do outro lado da balança, novos produtores sem esses investimentos e uma boa parte que ainda não vendeu o necessário para cobrir seus custos. Certo é que os preços para a safra 19/20, não têm atingido a expectativa do produtor e, por isso, os negócios estão praticamente paralisados nesse momento.

 

Os números do Sinap, o Sistema de Informações de Negócios com Algodão em Pluma da Bolsa Brasileira de Mercadorias, demonstram claramente este desaquecimento. Até o dia 20, foram registradas apenas 535 mil toneladas da safra 19/20 (a ser colhida), ante 610 mil toneladas da safra 18/19 registradas no mesmo período do ano passado. O número atual aponta uma redução de 12,3%.


Infelizmente, não existe no curto prazo uma tendência de reação nos preços, pelo menos, não é o que sugere o quadro de oferta, demanda e estoque mundial, levando o foco das expectativas para a Trade War entre os Estados Unidos e a China.

 

Diante deste quadro, veio a calhar o 12º Congresso Brasileiro de Algodão ocorrido entre os dias 27 e 29 de agosto na cidade de Goiânia. O evento contou com o patrocínio da Bolsa Brasileira de Mercadorias e registrou participação recorde de mais de duas mil pessoas. Palestras de temas importantes e variados, estudos científicos, troca de ideias e encontros, foram fundamentais para consolidar a estratégia de cada produtor.

 

De toda forma, a produção de algodão no Brasil seguirá firme com volume suficiente para a manutenção das suas posições de segundo maior exportador mundial e quarto maior produtor.

 

Por Rodrigo Santiago, presidente da Junta dos Corretores de Algodão da  BBM

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