ARTIGO A safra recorde, o exterior e a missão do Brasil

Por Andrea Cordeiro – Tanslabhoro
Por Andrea Cordeiro – Tanslabhoro
20/01/2020

ARTIGO A safra recorde, o exterior e a missão do Brasil

Por Andrea Cordeiro – Tanslabhoro
Por Andrea Cordeiro Tanslabhoro
20/01/2020

O quarto levantamento de safra 2019/2020 divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) este mês aponta para uma produção recorde com ajustes em três produtos: soja, milho e algodão. Segundo o órgão, o Brasil produzirá em condições normais climáticas até o final da temporada, 248 milhões de toneladas de grãos, o que representa um aumento de 2,5% frente à safra de grãos produzida em 2018/2019.

 

A safra de soja foi revisada para cima em 1,1 milhão de toneladas. O órgão estima que a produção da oleaginosa alcance 122,2 milhões de toneladas, o que representa um recorde histórico de produção nacional.

 

Caso a safra seja confirmada, será a primeira vez que o Brasil se posicionará com o maior produtor mundial do grão. Nas últimas safras, favorecido pelo conflito entre Estados Unidos e China, o país já havia conquistado o título de maior exportador mundial da oleaginosa.

 

Aqui, uma observação! Algumas casas de consultoria privadas como a Labhoro, estimam uma safra 2 a 3 milhões de toneladas superior à projeção do órgão.

 

No primeiro relatório de 2020, um detalhe curioso chamou a atenção do mercado. A Conab  não divulgou a tabela de oferta e demanda da safra 2018/2019 e anunciou que os números de exportação das safras anteriores estão sob análise para prováveis ajustes, o que deve refletir em revisões também nos estoques finais da temporada anterior e, consequentemente, da futura safra.

 

No mercado do algodão a produção da pluma foi projetada em 2,75 milhões de toneladas, frente a 2,72 milhões do ciclo 2018/2019, enquanto a produção do milho foi majorada em 400 mil toneladas, frente ao levantamento anterior.

 

Nas safras de verão e na chamada safrinha, o órgão estima que o país produzirá 98.710 milhões de toneladas. Embora atualmente algumas casas privadas também trabalhem com uma expectativa de safra total maior que a Conab, existe uma preocupação sobre a janela de plantio do milho safrinha. Com o atraso do plantio da soja, a safra pode ficar exposta em um grau maior às adversidades climáticas.

 

Segundo dados atuais da Climatempo StormGeo Company mesmo não havendo consenso nesse momento sobre o padrão climático para o segundo semestre, uma vez que os oceanos estão instáveis, há uma certa tendência de tempo mais úmido para os próximos meses, o que poderia causar certo atraso nos trabalhos de colheita em algumas regiões do Brasil. Ainda segundo a empresa, as possibilidades de invernada são maiores. Esses eventos, que costumam durar até cinco dias, causam chuva e nebulosidade e isso pode contribuir para diminuir a luminosidade sobre as áreas agricultáveis.

 

Qualquer redução de área ou quebra de produtividade podem influenciar nos preços do milho. Por um lado, o Brasil que exportou em 2019 o volume recorde de 41,5 milhões de toneladas do cereal, pode perder competitividade mundial, especialmente se dólar recuar e se as vendas para o Irã forem impactadas. A previsão é que o país compre mais de 5 milhões de toneladas do cereal brasileiro este ano.  Por outro lado, a peste suína africana forçou a China a buscar proteína no Brasil e em outros destinos, a recente notificação de gripe aviária por lá também pode abrir uma janela de oportunidade para o frango brasileiro. 

 

Considerado o primo pobre de 2019, pois foi a carne de frango que menos avançou em exportação, o setor frango pode ter em 2020 um cenário diferente para a indústria brasileira e o desempenho externo pode superar expectativas. Além de China, Índia e Alemanha também notificaram na primeira semana do ano, casos de gripe aviária.

 

Que em 2020, o Brasil esteja preparado mais do que nunca para alimentar o mundo, nossa grande missão!

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