A inflação, o dólar e o algodão

A alta acumulada é de 6% em 30 dias
Por Bolsa Brasileira de Mercadorias BBM
29/11/2021

A inflação, o dólar e o algodão

A alta acumulada é de 6% em 30 dias
Por Bolsa Brasileira de Mercadorias BBM
29/11/2021

As cotações do algodão atingiram novos recordes no Brasil em novembro. O último levantamentodo do indicador da Bolsa Brasileira de Mercadorias para o algodão em pluma, Posto São Paulo, aponta para o valor de R$ 6,26 por libra-peso, com uma alta acumulada de quase 6% em 30 dias. Segundo nossos consultores, uma boa parte da safra 2020/21 já foi comercializada e os produtores estão avaliando o mercado enquanto aguardam o melhor momento para fazer vendas adicionais. Confira as cotações


Em novembro, o algodão no mercado futuro chegou a ser negociado a US$ 1,20 por libra-peso na Bolsa de Nova Iorque. Nesta segunda-feira (29), o vencimento para dezembro de 2021 está a US$ 1,18 e, o de março de 2022, aparece a US$ 1,12. O diretor da Santiago Cotton, Rodrigo Santiago lembra que o problema de alta não está só no algodão. “Temos um quadro mundial de efeitos econômicos em função de tudo que ocorreu no início da pandemia e que estão aparecendo agora, como inflações em alta. Isso, sem falar no problema de caos logístico e da crise energética enfrentados este ano”, explica. Santiago também destaca o custo de fetilizantes “Houve um aumento grande de custos no mercado de fertilizantes em função dessa crise energética. Eu atribuo a conjuntura mundial como grande vilã da alta de preços”, finalizou. 


A inflação forte no Brasil foi confirmada novamente esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em novembro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação no país, atingiu 10,73% considerando o acumulado de 12 meses, o que ocorreu após avanço de 1,17% em novembro. Este é o maior resultado para o período em quase 20 anos. O resultado está acima do dobro da meta para o ano, fixada em 3,75%, com intervalo de tolerância entre 2,25% e 5,25%.


Segundo o IBGE, além do Grupo de Vestuário, que avançou 1,59% no mês e que está diretamente relacionado à cadeia do algodão, todos os outros grupos de produtos e serviços pesquisados pelo instituto também registraram elevação de preços. A maior variação, de 2,89%, e que tem o maior impacto no IPCA-15, de 0,60 ponto percentual, vem dos Grupo dos Transportes, influenciado, especialmente, pela alta de preço dos combustíveis. Só a gasolina, subiu 48% no acumulado de 12 meses. 


No mercado brasileiro do algodão, a demanda para exportação no mercado spot se mostra reduzida em função dos problemas logísticos citados anteriormente, que vão desde a falta de containers até a falta de espaço nos navios. “Basicamnte, os produtores estão somente terminando as entregas do que já havia sido contratado”, resumiu João Paulo Lefèvre, presidente do Conselho de Administração da Bolsa Brasileira de Mercadorias e sócio da Lefèvre Corretora. 


Além da inflação nas aturas, Lefèvre lembra de outro fator importante que impulsiona os preços da pluma: o dólar. “O algodão está diretamente ligado à variação do dólar”, explana. Cotado em torno de R$ 5,60, o dólar acumula uma alta de mais de 7% frente ao real em 2021. 


Plantio na Bahia


Esta semana, a Bahia iniciou o trabalho do plantio do algodão da safra 2021/22. A Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) estima um crescimento de área no estado de cerca de 9% ante a safra anterior, que foi de 266.662 hectares, 98% deste total, na região Oeste, cerrado baiano.


Enquanto isso, no estado de Mato Grosso, o adiantamento na semeadura da soja, da safra 2021/22, deve favorecer a janela de cultivo do algodão 2a safra, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

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